- Cidades
- São José do Rio Preto
Defesa aponta falhas na investigação da morte de jovem de 23 anos com tiro na testa em Rio Preto (SP)
Caso será julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (18); advogado afirma que não há provas materiais, testemunhas oculares ou elementos técnicos que liguem seu cliente ao disparo que matou Bruno Rodrigues de Oliveira
por Beatriz Silva
A poucas horas do julgamento pelo Tribunal do Júri, a defesa do acusado de matar Bruno Rodrigues de Oliveira, de 23 anos, contestou a investigação conduzida pela Polícia Civil e afirmou que não existem provas concretas capazes de apontar seu cliente que teria matado o jovem em fevereiro de 2024, com um tiro na testa, no bairro João Paulo II, em São José do Rio Preto (SP).
Em entrevista à Gazeta do Interior, o advogado Vítor Hugo de Souza Nogueira afirmou que a acusação estaria baseada apenas em relatos indiretos e que nenhuma testemunha ouvida no processo presenciou efetivamente o crime.
"Não existe nenhuma prova que o autor do disparo foi o meu cliente. Não existe nenhuma testemunha ocular. Todas as testemunhas ouviram dizer. Nenhuma viu com toda certeza", declarou.
Segundo o defensor, a investigação teria sido conduzida de forma superficial e sem aprofundamento de outras linhas investigativas que poderiam esclarecer a autoria do homicídio.
"A polícia chegou ao local já com nome e endereço de um suspeito, mas até hoje não existe nenhuma prova nos autos que ligue meu cliente ao disparo", afirmou.
A defesa também rebate a tese apresentada pelo Ministério Público de que o crime teria relação com o tráfico de drogas e com uma suposta disputa por pontos de venda de entorpecentes.
"Eles alegam guerra de gangues, guerra de bairros, disputa de tráfico, mas não trazem elementos que comprovem que o meu cliente tenha cometido o homicídio", disse o advogado.
Outro ponto questionado pela defesa envolve a informação de que o acusado teria atuação considerada "disciplinar" dentro de uma organização criminosa. Para o advogado, cabe à acusação apresentar provas que sustentem essa afirmação.
"Não basta alegar. É preciso trazer elementos para que a defesa possa rebater. Não existe como provar um fato negativo", argumentou.
Ainda de acordo com o defensor, a própria vida pregressa da vítima indicaria a necessidade de aprofundamento das investigações em outras direções.
A defesa também afirmou que pretende apresentar durante o julgamento informações e questionamentos que, segundo ela, não foram devidamente esclarecidos ao longo da instrução processual.
Por fim, o advogado espera que os jurados analisem cuidadosamente as provas produzidas nos autos.
"A vida do Bruno já foi perdida. O que não pode acontecer é uma segunda vida ser destruída sem que exista uma autoria comprovada por provas concretas", concluiu.
O julgamento está marcado para começar às 13h30 desta quinta-feira (18/06/2026), no Fórum de São José do Rio Preto. O Ministério Público sustenta a condenação do acusado por homicídio qualificado por motivo torpe e porte ilegal de arma de fogo.
A sessão é pública e pode ser acompanhada por interessados.










