

O dono de um pet shop de Bady Bassitt (SP), investigado pela morte de um cachorro da raça Shih Tzu, se apresentou na delegacia da cidade, nesta quinta-feira, (03/04/2025), e preferiu se manter em silêncio. Conforme a Gazeta mostrou, Ralph, de 1 ano e 2 meses, foi levado pela empresa para tomar banho, no dia 29/03 e depois foi encontrado morto na última terça-feira, (01/04), pelo próprio tutor, dentro de um saco plástico, em um terreno baldio da cidade.
Segundo a Polícia Civil, o empresário se apresentou sozinho, hoje pela manhã, sem a presença de seu advogado e afirmou que, diante dos fatos, “se manterá em silêncio, haja vista a grande repercussão midiática, preocupação com sua própria segurança e da família, pois possui dois filhos e está profundamente abalado pelos fatos e disposto a arcar com toda responsabilização. Que, demais circunstâncias irá manifestar se judicialmente”, disse.
O investigado responde pelo crime de maus-tratos. Havia a possiblidade dele responder também pela falsa comunicação de crime, entretanto, o boletim de ocorrência registrado foi “não criminal”, o que não caracteriza crime. A polícia agora aguarda o relatório de investigação complementar para decidir se encaminhará o caso para o Ministério Público de São José do Rio Preto (SP).
“Vamos guardar mais algumas diligências dos investigadores da delegacia de polícia e, ao final veremos se caminharemos para o poder judiciário ou não”, disse o delegado que cuida do caso, Ericson Salles Abufares.
Os tutores do animal, Najara Moreira Cebalos e Eduardo Salvador da Silva, disseram em nota, por meio de seus advogados que, com base nas provas já obtidas — especialmente imagens de câmeras de segurança e mensagens trocadas —, “tudo leva a crer que o animal foi, infelizmente, esquecido no interior do veículo dos responsáveis pelo estabelecimento, vindo a óbito posteriormente.
Ressalta-se, com veemência, que não cabe à defesa imputar culpa ou antecipar conclusões penais. Essa tarefa cabe exclusivamente à investigação criminal, que está em curso e deve seguir seu trâmite com rigor técnico e imparcialidade.
Entretanto, diante dos indícios já reunidos, é possível afirmar que houve, no mínimo, grave negligência por parte dos responsáveis pelo pet shop, especialmente pela ausência de comunicação imediata, pelas versões contraditórias apresentadas à família e pela forma como o corpo do animal foi posteriormente descartado: em um saco plástico, em um terreno baldio, em condições precárias, e sem qualquer dignidade”, diz trecho do documento.
A família diz que busca, desde o início por justiça e que espera a responsabilização civil e penal dos envolvidos.
“Ralph não era apenas um animal de estimação, era um verdadeiro membro da família. A obrigação do estabelecimento não se limitava à execução de um serviço comercial; era devolver o animal com vida, íntegro e em segurança. Essa é a essência mínima de qualquer relação baseada em confiança”, afirmou a nota.
A defesa do dono do pet shop emitiu uma nota afirmando profundo respeito à sociedade e às instituições sobre o caso. Confira:
“Ele é morador da cidade de Bady Bassitt há mais de 30 anos, pai dedicado de gêmeos de apenas 1 ano de idade e está à frente da empresa há 6 anos. Encontra-se visivelmente abalado com o ocorrido e, desde o primeiro momento, demonstrou plena disposição em colaborar com as autoridades locais, além de já ter iniciado tratativas com os tutores do animal, visando uma reparação adequada e respeitosa.
Importa destacar que o dono do estabelecimento permanece na cidade, agindo com absoluta transparência, compromisso com a verdade e responsabilidade social. Por fim, a defesa expressa preocupação com as manifestações hostis nas redes sociais e reforça que o cliente, membro de família tradicional de Bady Bassitt, com reputação ilibada e jamais processado, não se furta às suas responsabilidades. Permanece na cidade, à disposição das autoridades e da verdade. Apelamos à população para que mantenha o equilíbrio, o respeito e a confiança na Justiça, que saberá conduzir os fatos com a imparcialidade que o caso requer”, disse a nota.
Sobre o depoimento, a defesa disse que, apesar de ter inicialmente exercido o direito constitucional ao silêncio, "encontra-se profundamente abalado com os recentes acontecimentos e reafirma seu compromisso com a verdade e com a Justiça".