- Cidades
Usina Itajobi tenta renegociar dívida de R$ 3,7 bilhões após suposta ligação com o PCC
Usinas citadas na Operação Carbono Oculto pediram mediação para reestruturar débitos
por Gazeta do Interior
O Grupo Itajobi, responsável pelas usinas Itajobi, Carolo e Rio Pardo, protocolou um pedido de mediação empresarial no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de São José do Rio Preto (SP) para tentar renegociar uma dívida de aproximadamente R$ 3,7 bilhões.
Assine já a Gazeta e fique por dentro do melhor conteúdo exclusivo e sem anúncios!
As empresas são citadas na Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que investiga um suposto esquema bilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes no setor de combustíveis, apontado como uma das principais fontes de financiamento do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o MPSP, as usinas teriam sido peças importantes na expansão dos negócios do empresário Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "Primo", no setor sucroalcooleiro. A investigação afirma que ele chegou a se apresentar em uma reportagem utilizando o nome "João Mourad" e como sócio-proprietário da Usina Itajobi.
Para os promotores, o uso do pseudônimo teria servido para ocultar sua verdadeira identidade e a ligação com as empresas. A investigação também aponta que as usinas estariam conectadas a outras pessoas jurídicas consideradas "laranjas" do suposto esquema criminoso.
Ainda conforme o Ministério Público, o grupo teria adquirido as usinas por meio de um fundo de investimento que assumiu o compromisso de quitar dívidas e indenizar proprietários de áreas arrendadas.
A investigação também cita movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo uma transferência de R$ 100 milhões ao Radford Fundo de Investimento por meio do BK Bank, fintech apontada como integrante do esquema de lavagem de dinheiro investigado.
Outro ponto apurado pelo MP é um suposto esquema de compra de cana-de-açúcar com valores acima do mercado. De acordo com a investigação, o sobrepreço geraria créditos tributários utilizados para reduzir o pagamento de impostos em outras etapas da cadeia produtiva de combustíveis.
Defesa nega ligação com o PCC
A defesa de Mohamad Hussein Mourad nega qualquer vínculo do empresário com o PCC. Em nota, os advogados afirmam que as alegações surgiram inicialmente em reportagens jornalísticas e passaram a ser reproduzidas posteriormente.
O advogado William Matheus Martinez, que representa as usinas, afirmou que elas foram citadas apenas em uma fase inicial da Operação Carbono Oculto e que, embora continuem sendo investigadas, não há qualquer decisão judicial que impeça o funcionamento das empresas.
Segundo ele, também não existe sentença condenatória contra as usinas.
Objetivo é evitar recuperação judicial
De acordo com a defesa, a mediação busca negociar os débitos diretamente com os credores e evitar, neste momento, um pedido de recuperação judicial, embora essa possibilidade não esteja descartada.
O advogado afirma que a medida busca preservar cerca de 3 mil empregos mantidos pelas usinas, que operam nos municípios de Marapoama, Pontal, Morro Agudo, Cerqueira César e Avaré.
Grande parte da dívida, segundo a defesa, tem origem em processos de recuperação judicial anteriores, principalmente envolvendo a Usina Carolo.
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 e reúne o Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Polícia Federal e outros órgãos de investigação. O objetivo é desarticular o suposto braço financeiro do PCC, que, segundo as autoridades, utilizava empresas aparentemente regulares para lavar dinheiro, sonegar tributos e movimentar recursos de origem ilícita.
Até o momento, as investigações seguem em andamento, sem condenação definitiva envolvendo o Grupo Itajobi ou seus representantes.






