- Cidades
Plano para assassinar promotor do GAECO leva operação contra o PCC a Cardoso e Campinas (SP)
Investigações apontam envolvimento de investigador da Polícia Civil, policial penal, ex-policial civil e ex-estagiário do Ministério Público em esquema de vazamento de informações e extorsões ligadas ao PCC
por Gazeta do Interior
O Ministério Público de São Paulo deflagrou na manhã desta terça-feira (09/06/2026) a Operação Infiltrados para investigar a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) junto a agentes públicos. A ação cumpriu dez mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária nas cidades de Campinas e Cardoso.
A operação é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White e conta com a participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do 1º BAEP de Campinas, da Corregedoria da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Penal.
Segundo o Ministério Público, as investigações apuram esquemas de corrupção, extorsão, violação de sigilo funcional e até mesmo a infiltração de criminosos dentro do próprio órgão.
Um dos principais focos da apuração envolve um suposto plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do GAECO. De acordo com os investigadores, um dos acusados de planejar o atentado se reuniu com o chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) de Campinas uma semana antes da operação que impediu a execução do crime, em 2025.
Vídeos apreendidos durante a investigação mostram o encontro entre o suspeito e o servidor público. O Ministério Público apura se informações sigilosas relacionadas às investigações foram repassadas ao integrante da facção criminosa.
Outra frente da operação revelou que um estagiário do próprio Ministério Público teria se infiltrado em uma Promotoria de Justiça Criminal de Campinas com o objetivo de obter acesso a sistemas internos e informações privilegiadas.
Segundo o GAECO, ele identificava criminosos com elevado poder econômico e passava a exigir dinheiro em troca de suposta proteção em investigações. A vítima de uma das extorsões seria um integrante do PCC.
As investigações apontam que o estagiário contava com a colaboração de um policial penal e de um ex-policial civil, que já havia sido expulso da corporação anos atrás por envolvimento em extorsão mediante sequestro.
Também foram encontrados indícios de que parte das ações criminosas teria utilizado a estrutura de internet de um escritório de advocacia, alvo de buscas acompanhadas pela Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O Ministério Público informou que as investigações prosseguem para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer a extensão da atuação da organização criminosa dentro de órgãos públicos.










