- São José do Rio Preto
PF determina destruição de 30 toneladas de carne após apreensão de 500 quilos de drogas em Rio Preto (SP)
Transportadora e frigorífico tentaram impedir destruição da carga e afirmam que motorista recebeu R$ 20 mil para esconder droga entre a carne
por Luiz Aranha
A Polícia Federal determinou a destruição de cerca de 30 toneladas de carne bovina na manhã desta sexta-feira (05/06/2026), em São José do Rio Preto (SP), um dia após a apreensão de aproximadamente 500 quilos de drogas escondidos em meio à carga durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) na Rodovia Washington Luís (SP-310).
A carne, avaliada em cerca de R$ 640 mil, era transportada de Boca do Acre (AM) para Campo Limpo Paulista (SP). Segundo a investigação, os entorpecentes estavam escondidos no baú frigorífico do caminhão.
Os advogados da transportadora responsável pelo transporte e do frigorífico proprietário da carga ingressaram com um mandado de segurança em caráter de urgência para tentar recuperar a mercadoria e impedir sua destruição.
De acordo com os advogados Kauan Eduardo de Lima Cambauva e Gaspar Osvaldo da Silveira Neto, as empresas não tinham conhecimento da existência da droga. Em depoimento prestado à Polícia Federal, o motorista do caminhão teria confessado que adulterou o lacre do compartimento de carga para permitir que traficantes escondessem os entorpecentes entre a carne. Ele disse que carregou a droga em Cuiabá (MT) e levaria para São Paulo, onde receberia R$ 20 mil pelo transporte.
Após a apreensão, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo determinou a inutilização da carga por questões sanitárias, sob o argumento de que os entorpecentes poderiam ter contaminado os produtos transportados.
Os representantes das empresas, no entanto, contestam a medida e afirmam que a carne não seria mais destinada ao consumo humano, mas encaminhada para o setor de graxaria, onde seria utilizada para fins industriais.
“A lei fala que ele teria de 5 a 30 dias para realizar a destruição da mercadoria, mas o delegado da Polícia Federal não esperou nem mesmo o fórum abrir e, de forma arbitrária, simplesmente já levou o caminhão para a destruição da carne. O veículo permaneceu a noite toda desligado, o que não deveria, pois é um veículo frigorífico e teria que manter a carne resfriada, tudo com o objetivo de a mercadoria estragar”, afirmou o advogado Kauan Eduardo de Lima Cambauva.
A reportagem não conseguiu contato com a Polícia Federal para comentar as alegações apresentadas pela defesa. O espaço permanece aberto para manifestação, e este texto será atualizado caso haja posicionamento oficial.











