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Orangotangos usam plantas medicinais para aliviar dores, tratar feridas e até se acalmar, aponta estudo
Pesquisa baseada em mais de 20 anos de observação indica que os primatas selecionam plantas com propriedades terapêuticas e podem praticar uma forma de automedicação na natureza
por Gazeta do Interior
Os orangotangos podem entender muito mais sobre medicina natural do que se imaginava. Um estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Exeter, no Reino Unido, revelou que esses primatas procuram e consomem plantas com propriedades medicinais para aliviar dores, reduzir inflamações, se acalmar e até auxiliar na cicatrização de ferimentos.
A pesquisa analisou mais de 20 anos de observações de orangotangos-de-bornéu vivendo em florestas da Indonésia. Ao longo desse período, cientistas registraram milhares de eventos de alimentação e perceberam que os animais não escolhem determinadas plantas ao acaso. Pelo contrário: eles costumam consumir espécies conhecidas por conter compostos antimicrobianos, anti-inflamatórios e cicatrizantes.
Segundo os pesquisadores, o comportamento é compatível com um processo de automedicação.
Embora ainda não seja possível afirmar que os orangotangos façam um "diagnóstico" consciente de seus problemas de saúde, as evidências indicam que eles buscam determinados vegetais por benefícios que vão além da nutrição.
Os resultados reforçam descobertas anteriores. Em 2024, cientistas documentaram pela primeira vez um orangotango selvagem tratando uma ferida no rosto ao mastigar folhas de uma planta medicinal e aplicar a pasta diretamente sobre o machucado. Poucos dias depois, a lesão começou a cicatrizar e, em cerca de um mês, praticamente havia desaparecido.
Outro comportamento já observado é o de esfregar folhas mastigadas sobre braços e pernas. Estudos anteriores demonstraram que essas plantas possuem ação anti-inflamatória e podem ajudar a aliviar dores musculares e nas articulações, o que levou os pesquisadores a sugerirem que os animais também utilizam esses recursos para obter alívio físico.
Os cientistas acreditam que esse conhecimento pode ser resultado de instinto, aprendizado com outros orangotangos ou até mesmo de uma combinação dos dois fatores. Algumas das plantas consumidas pelos primatas também são utilizadas há gerações por comunidades indígenas da Indonésia como medicamentos naturais, reforçando a importância do conhecimento tradicional para a conservação da biodiversidade e para futuras pesquisas na área da saúde.






