- Cidades
Ministério Público arquiva nova denúncia de suposto abuso sexual contra ex-bispo de Catanduva (SP)
Mesmo após relatos de seminarista e testemunhas, promotoria concluiu que não havia provas suficientes para dar continuidade ao caso; decisão contrasta com outro processo em que o ex-bispo já é réu pelo mesmo crime
por Luiz Aranha
O Ministério Público de Catanduva (SP) arquivou um novo inquérito que investigava uma denúncia de suposto abuso sexual contra o ex-bispo de Catanduva, Dom Valdir Mamede. A decisão foi tomada mesmo após o relato de um ex-seminarista e de depoimentos de testemunhas, incluindo o então reitor do seminário, que afirmou ter sido procurado pelo jovem por causa de "situações de constrangimento" relacionadas a "práticas impróprias" atribuídas ao ex-bispo.
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O promotor de Justiça Paulo César Neubi entendeu que as informações colhidas durante a investigação eram insuficientes para dar continuidade ao caso.
A decisão chama atenção porque difere do desfecho de outra investigação envolvendo Dom Valdir Mamede. Naquele caso, um padre da Diocese de Catanduva denunciou o ex-bispo por supostos abusos sexuais. Inicialmente, o Ministério Público também havia pedido o arquivamento, mas o denunciante recorreu à Procuradoria de Justiça do Estado de São Paulo.
Após reavaliar o caso, a Procuradoria concluiu que havia indícios suficientes para apresentar a denúncia criminal. A Justiça aceitou a denúncia, e Dom Valdir Mamede passou a responder como réu por abusos sexuais.
Ex-seminarista diz que não contou tudo
A nova investigação começou depois que um ex-seminarista procurou a Polícia Civil e afirmou que, quando foi ouvido anteriormente em outro inquérito envolvendo Dom Valdir Mamede, não contou toda a verdade.
Segundo ele, o silêncio parcial ocorreu porque desejava se tornar padre e acreditava que ainda seria ordenado. De acordo com seu depoimento, essa expectativa era alimentada por Dom José Benedito, atual bispo da Diocese de Catanduva.
Testemunhas confirmaram relatos
Durante a investigação, testemunhas afirmaram que o ex-seminarista havia contado ao então reitor do seminário sobre os supostos assédios.
Um sacerdote também declarou que, no início de 2023, foi procurado pela suposta vítima e por outro seminarista, que relataram os supostos abusos atribuídos ao ex-bispo.
O próprio reitor confirmou que ouviu do seminarista relatos de "situações de constrangimento devido a práticas impróprias" atribuídas a Dom Valdir Mamede. Em depoimento, afirmou ainda ter presenciado "conteúdos de segundo sentido, conteúdo sexual" dentro do seminário envolvendo estudantes.
Motivo do arquivamento
Mesmo diante desses relatos, o Ministério Público concluiu que não havia provas suficientes para levar o caso adiante.
Na decisão, o promotor afirmou que o relato da suposta vítima não era acompanhado por elementos independentes que confirmassem a acusação. Também apontou contradições no depoimento do ex-seminarista, destacando que ele afirmou ter sido pressionado a permanecer em silêncio, mas também disse que esperava retornar ao seminário e só decidiu falar depois que essa expectativa não se concretizou.
Outro processo continua
Valdir Mamede responde a uma ação penal por suspeita de abusos sexuais em outro caso, após a Procuradoria de Justiça reverter um pedido anterior de arquivamento e a Justiça aceitar a denúncia.
Reportagem buscou manifestação
A reportagem não conseguiu contato com a suposta vítima e com Dom Valdir Mamede para comentar o caso até a publicação da reportagem, mas o espaço permanece aberto.











