- Cidades
- São José do Rio Preto
Igreja divulga andamento de investigação sobre imagem que verte mel há 33 anos em Mirassol (SP)
Comissão nomeada pela Arquidiocese de Rio Preto (SP) informou aos bispos do Brasil que segue apurando fenômeno atribuído à imagem de Nossa Senhora de Fátima
por Luiz Aranha
A Arquidiocese de São José do Rio Preto (SP) divulgou uma carta circular na última sexta-feira (12/06/2026), informando o andamento da investigação sobre a imagem de Nossa Senhora de Fátima, de Mirassol (SP), conhecida por verter substâncias como mel, azeite, água, vinho e sal há mais de três décadas.
O documento, encaminhado aos bispos reunidos na Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), detalha os trabalhos da Comissão de Investigação criada pelo arcebispo Dom Antônio Emídio Vilar em novembro de 2024 para apurar o presumido fenômeno sobrenatural.
Segundo a Arquidiocese, a comissão é formada pelo delegado padre Francisco Aparecido Rodrigues, pelo notário e advogado canonista Aparecido José Santana, pelo canonista padre Marcos Vinícius Cavallini, pelo teólogo padre Ronaldo José Miguel e pelo perito Silvio José Ferreira de Souza.
Na carta, a Arquidiocese afirma que a comissão vem realizando diligências e procedimentos investigativos para reunir informações sobre os relatos envolvendo a imagem. Todo o material coletado será encaminhado ao Dicastério para a Doutrina da Fé, órgão do Vaticano responsável pela análise e decisão final sobre casos dessa natureza.
O documento também esclarece que Dom Antônio Emídio Vilar não pode emitir declarações públicas sobre a autenticidade ou eventual sobrenaturalidade do fenômeno enquanto a investigação estiver em andamento, seguindo as normas estabelecidas pela Santa Sé.
A Arquidiocese informou ainda que a imagem pertence à advogada Lilian Montemor, moradora de Mirassol, e que recentemente passou por um processo de restauração que durou cerca de 11 meses em um ateliê especializado na cidade de São Paulo.
Fenômeno intriga fiéis há 33 anos
Conforme a Gazeta mostrou em abril deste ano, a Igreja Católica deu início à investigação oficial do fenômeno que envolve a imagem conhecida popularmente como "Nossa Senhora do Mel".
A imagem foi trazida de Portugal em 1991 e pertence à advogada Lilian Aparecida. Em 13 de maio de 1993, ela percebeu que a peça apresentava lágrimas. Dias depois, começaram a surgir manifestações de sal e, posteriormente, mel, que, segundo relatos, continua sendo vertido até os dias atuais.
Diante da crescente devoção popular e da repercussão do caso, a Arquidiocese instaurou uma Comissão Arquidiocesana de Investigação para conduzir a apuração seguindo as novas diretrizes estabelecidas pelo Vaticano em 2024 para análise de supostos fenômenos sobrenaturais.
Segundo o notário da comissão, Aparecido José Santana, o trabalho será dividido em três etapas: análise laboratorial das substâncias manifestadas pela imagem, levantamento de possíveis curas atribuídas ao fenômeno e coleta de relatos de conversão religiosa relacionados ao caso.
Após a conclusão da investigação, toda a documentação será encaminhada ao Dicastério para a Doutrina da Fé, que fará a análise final e emitirá um parecer sobre o fenômeno.
Em 2021, uma análise laboratorial mencionada por membros da Igreja chamou a atenção ao apontar que o mel coletado da imagem não apresentaria características compatíveis com os tipos conhecidos produzidos por abelhas. A informação foi divulgada à época pelo padre Oscar Donizete Clemente.
Atualmente, a imagem permanece em Mirassol sob os cuidados da proprietária. Mesmo sem realizar peregrinações há quase um ano, relatos apontam que ela continua vertendo mel.
A Igreja Católica destaca que a investigação segue em andamento e que somente após a conclusão dos trabalhos e a manifestação do Vaticano haverá uma posição oficial sobre a natureza do fenômeno.










