- Tabapuã
Ex-prefeito de Tabapuã é preso após ser condenado por alterar ordens de pagamentos da Prefeitura
Justiça entendeu que Jamil Seron favoreceu alguns pagamentos no fim de seu mandato, em 2016
por Gazeta do Interior
Por Luiz Aranha e Beatriz Silva
O ex-prefeito de Tabapuã (SP), Jamil Seron, de 73 anos, foi preso nesta última quarta-feira (22/07/2026) para cumprir pena após condenação definitiva da Justiça por priorizar determinados pagamentos da Prefeitura no fim de seu mandato, em 2016.
A prisão foi realizada por volta das 12h48, em Cedral (SP). Em seguida, Jamil foi levado à Delegacia de Polícia de Potirendaba e, posteriormente, encaminhado ao DEIC de São José do Rio Preto, de onde seguiu para o sistema prisional para o cumprimento da pena.
A Gazeta do Interior mostrou o caso, em junho de 2021, quando a Justiça de Tabapuã condenou o então ex-prefeito pelos fatos ocorridos no encerramento de sua administração.
Jamil Seron foi prefeito de Tabapuã por dois mandatos: de 2005 a 2008 e de 2013 a 2016.
Entenda a condenação
A prisão é resultado de uma condenação definitiva da Justiça por irregularidades na ordem de pagamento de dívidas da Prefeitura no fim de seu mandato.
Segundo a sentença, no dia 30 de dezembro de 2016, penúltimo dia de seu mandato, a Prefeitura de Tabapuã recebeu R$ 484.325,77 provenientes do Regime Especial de Regularização Cambial e Tributária (RERCT), por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
De acordo com o Ministério Público, em vez de respeitar a ordem cronológica dos credores já habilitados, o então prefeito determinou o pagamento de determinadas despesas em detrimento de outras consideradas prioritárias.
A denúncia apontou que diversos fornecedores, prestadores de serviço, servidores e instituições receberam pagamentos naquele dia, enquanto outros credores que possuíam direito anterior permaneceram sem receber.
Entre os pagamentos efetuados estava a quitação de R$ 136.732,40 para uma empresa referente a empenhos de 2008. O Ministério Público também sustentou que ficaram pendentes obrigações importantes, como repasses ao Hospital Maria do Valle Pereira, à APAE de Catanduva, débitos de energia elétrica do município e contribuições patronais ao INSS, situação que teria gerado juros e multas aos cofres públicos.
O que decidiu a Justiça
Na sentença proferida em maio de 2021, a Justiça absolveu Jamil Seron da acusação de utilizar recursos públicos de forma indevida em benefício de terceiros. O entendimento foi de que os produtos e serviços pagos pela Prefeitura haviam sido efetivamente entregues, não ficando comprovado desvio de dinheiro público.
Também foi absolvido o então tesoureiro municipal, Carlos César Pedrassani, por ausência de provas de que tivesse poder de decisão sobre a ordem dos pagamentos.
Por outro lado, a Justiça condenou Jamil Seron pelo crime de inverter a ordem legal de pagamento de credores, entendendo que os pagamentos foram realizados sem justificativa baseada no interesse público e em desacordo com a ordem cronológica prevista na legislação.
A pena fixada foi de um ano de detenção, em regime inicial semiaberto, além da inabilitação para o exercício de cargo ou função pública pelo prazo de cinco anos.
Condenação foi mantida
A defesa recorreu da sentença, mas, em 26 de outubro de 2023, a 3ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve integralmente a condenação.
O processo transitou em julgado em 18 de junho de 2024, encerrando a possibilidade de novos recursos sobre o mérito da ação.
Em janeiro de 2025, a Vara de Execuções Criminais determinou que o ex-prefeito se apresentasse voluntariamente para iniciar o cumprimento da pena. Como isso não ocorreu, foi expedido mandado de prisão em fevereiro do mesmo ano.
O mandado permaneceu pendente até ser cumprido nesta quarta-feira (22), quando Jamil Seron foi localizado por policiais militares em Cedral.
Após a prisão, foi submetido aos procedimentos de praxe, incluindo requisição de exame no Instituto Médico Legal (IML), sendo posteriormente encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.
A reportagem tentou contato com a defesa de Jamil, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto.
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