- São José do Rio Preto
Emoção dos jogos da Copa pode aumentar risco de infarto, alertam cardiologistas do HB
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por Gazeta do Interior
A emoção dos jogos da Copa do Mundo pode representar um risco para pessoas com doenças cardiovasculares ou fatores predisponentes, segundo alerta de especialistas do Hospital de Base (HB), de São José do Rio Preto (SP). Com a Seleção Brasileira entrando em campo contra a Escócia nesta próxima quarta-feira (24/06), médicos reforçam a importância dos cuidados com a saúde do coração durante a competição.
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De acordo com os cardiologistas, estudos científicos já apontaram que partidas decisivas e eventos esportivos de grande apelo emocional podem estar associados ao aumento de casos de infarto, arritmias e outras emergências cardiovasculares em pacientes predispostos. Isso ocorre porque situações de forte emoção estimulam a liberação de adrenalina, elevando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a sobrecarga do coração.
Segundo o cardiologista do Hospital de Base, Fernando Bruetto, assistir a uma partida de futebol não provoca infarto em pessoas saudáveis, mas pode desencadear complicações em quem já possui fatores de risco.
“Existem estudos mostrando que jogos decisivos podem aumentar a ocorrência de eventos cardiovasculares em pessoas predispostas. A emoção intensa gera alterações fisiológicas importantes, mas é fundamental destacar que o problema ocorre principalmente em indivíduos que já possuem hipertensão, diabetes, colesterol elevado, histórico de infarto, tabagismo ou antecedentes familiares relevantes”, explica.
A cardiologista e médica assistente do Serviço de Cardiologia da Funfarme, Natasha Casteli Grassi, destaca que pacientes com doenças cardíacas diagnosticadas devem manter os cuidados mesmo durante o período de jogos.
“Para quem não tem problemas de saúde, a torcida dificilmente causará complicações. Mas pacientes hipertensos sem acompanhamento adequado, pessoas que já sofreram infarto ou que apresentam doenças cardiovasculares podem ter picos de pressão arterial, mal-estar e outros sintomas desencadeados pela forte emoção, principalmente quando associados ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas e à interrupção dos cuidados médicos”, afirma.
A especialista compara o acompanhamento médico à função de um técnico em uma equipe de futebol.
“O coração é como o principal jogador do time, mas ele precisa de um bom técnico por trás. Esse técnico é o cardiologista. Quem já possui diagnóstico de alguma doença cardíaca deve manter o acompanhamento regular, seguir corretamente o tratamento e não abandonar os cuidados”, ressalta.
Referência em atendimento cardiovascular
O Hospital de Base é referência em alta complexidade para cerca de 2 milhões de habitantes de 102 municípios da região e conta com estrutura especializada para atendimento de pacientes com suspeita de infarto e outras emergências cardiovasculares.
Segundo Bruetto, pacientes que chegam à unidade com dor torácica recebem atendimento prioritário para diagnóstico rápido e início imediato do tratamento, quando necessário.
“A equipe é formada por profissionais capacitados e preparada para realizar o diagnóstico precoce do infarto agudo do miocárdio e de outras condições cardiovasculares potencialmente graves, permitindo que o tratamento adequado seja iniciado o mais rapidamente possível”, afirma.
Sinais de alerta
Os especialistas orientam que sintomas como dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas, palpitações persistentes, desmaios, mal-estar súbito ou dores irradiadas para braços, costas e mandíbula devem ser avaliados imediatamente por uma equipe médica.
“A principal manifestação de alerta é a dor no peito. Além disso, falta de ar, palpitações que não melhoram espontaneamente e desmaios podem indicar situações graves e precisam de atendimento médico urgente”, reforça Natasha.
Para Bruetto, a rapidez na procura por atendimento pode ser decisiva.
“Torça, comemore, vibre pelo seu time. Mas não ignore os sinais do seu coração. Em cardiologia, tempo é músculo, e procurar atendimento rapidamente pode salvar vidas”, alerta.
Entre as recomendações dos especialistas estão tomar corretamente os medicamentos prescritos, evitar excesso de bebidas alcoólicas, não fumar, moderar o consumo de alimentos ricos em gordura e sal, manter-se hidratado, dormir adequadamente e não interromper tratamentos médicos durante a Copa do Mundo.










