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Educação apura omissão após adolescente autista ficar horas com fezes na roupa em Rio Preto (SP)
Mãe afirma que encontrou o filho de 14 anos sendo alvo de risadas dos colegas após permanecer toda a tarde sem receber auxílio
por Gazeta do Interior
Uma denúncia envolvendo um adolescente autista de 14 anos mobilizou a comunidade escolar de São José do Rio Preto (SP) e levou a Secretaria Estadual da Educação a instaurar um procedimento para apurar a conduta da equipe gestora da Escola Estadual Parque das Aroeiras II, localizada na região norte da cidade.
A denúncia foi feita pela mãe do estudante, Cynthia Gontijo, que relata uma série de situações que, segundo ela, demonstram falta de estrutura e suporte adequado para atender o filho, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 3 e deficiência intelectual.
O episódio mais grave, segundo a mãe, ocorreu quando ela decidiu buscar o filho mais cedo na escola. Ao chegar à unidade, percebeu uma movimentação incomum na sala de aula.
"Eu ouvi o nome dele, muita gente rindo e um alvoroço. Quando subi, vi alunos tampando o nariz e dando risada. Descobri que meu filho tinha feito as necessidades na roupa dentro da sala", relatou.
Segundo Cynthia, o adolescente permaneceu durante horas sem receber auxílio para higiene pessoal. Ela afirma que o episódio teria ocorrido por volta das 13h e que só tomou conhecimento da situação quando chegou para buscá-lo, por volta das 17h30.
"A fezes já estavam secas. Meu filho estava com mau cheiro, sendo alvo de piadas e constrangimentos. Eu mando kit de higiene, roupa limpa, lenço umedecido. Bastava me ligar que eu chegaria em poucos minutos", disse.
A mãe conta que o filho não costuma apresentar esse comportamento e que ficou abalada ao encontrar o adolescente exposto à situação diante dos colegas.
"Chamavam ele de 'cagão'. Era constrangedor para ele e para qualquer pessoa. O que mais me machuca é saber que ninguém me avisou", afirmou.
Falta de acompanhante preocupa família
Além do episódio envolvendo a higiene do estudante, Cynthia afirma que há meses luta para conseguir um profissional de apoio permanente para acompanhar o filho durante as atividades escolares.
Segundo ela, o adolescente necessita de supervisão constante para adaptação das tarefas, orientação social e acompanhamento em momentos como recreio, deslocamentos e uso do banheiro.
"Meu filho é inteligente, tem memória fotográfica, sabe fazer contas, mas precisa de atividade adaptada. Não dá para colocá-lo em uma sala com quase 40 alunos e esperar que ele consiga acompanhar tudo sozinho", afirmou.
A mãe relata ainda que o jovem frequentemente retorna para casa sem atividades registradas nos cadernos e que já ouviu de profissionais da unidade que a frequência escolar teria como principal objetivo apenas a socialização.
"Eu quero apenas aquilo que é direito dele. Não estou pedindo privilégio. Estou pedindo apoio para que ele tenha condições reais de aprender e se desenvolver", disse.
Relatos de exclusão e constrangimentos
Cynthia afirma que enfrenta dificuldades desde que o filho deixou uma instituição especializada e passou a frequentar a rede regular de ensino.
Segundo ela, a transição foi marcada por problemas de documentação, negativas de matrícula, reuniões frequentes e solicitações que, na avaliação da família, demonstram despreparo para lidar com estudantes autistas.
A mãe também relata que o adolescente tem sido alvo de brincadeiras e provocações de colegas.
"Ele chega em casa dizendo que não quer mais ir para a escola. Fala que os alunos riem dele, do crachá que usa e de algumas situações que acontecem. Isso me destrói como mãe", contou.
Ela afirma que o desgaste emocional provocado pelos episódios já afeta sua própria saúde.
"Eu passo mal quando preciso ir até a escola. Choro, fico nervosa, com frio no estômago. Nunca sei qual será a próxima situação envolvendo meu filho", desabafou.
O que diz a Secretaria da Educação
Por meio de nota, a Unidade Regional de Ensino (URE) de São José do Rio Preto informou que lamenta o ocorrido e já instaurou procedimento para apurar a conduta da equipe gestora diante dos fatos.
A Secretaria informou ainda que notificará a empresa responsável pelo fornecimento do profissional de apoio em razão das constantes faltas sem justificativa e da ausência de substituição do colaborador.
Segundo a pasta, assim que tomou conhecimento da situação, o estudante e sua família foram acolhidos e receberam orientações e encaminhamentos.
A URE afirmou também que o adolescente conta com os serviços disponibilizados pela rede estadual para atendimento às suas necessidades educacionais, incluindo acompanhamento de professor especializado do Projeto Ensino Colaborativo, cuidador, itinerância e recursos pedagógicos adaptados elaborados pelos professores regentes.
Por fim, a Secretaria informou que permanece à disposição da família para prestar os esclarecimentos necessários.
Enquanto a apuração segue em andamento, a mãe afirma que continuará buscando apoio para garantir que o filho tenha acesso a uma educação inclusiva e segura.
"Meu filho não precisa de pena. Ele precisa de oportunidade, respeito e assistência adequada. É só isso que eu estou pedindo."










