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Com baixa adesão à vacinação, monitoramento mundial define todos os anos as cepas da vacina contra a gripe
Sistema coordenado pela OMS acompanha a evolução do vírus influenza em mais de 130 países e orienta a produção do imunizante aplicado gratuitamente pelo SUS
por Gazeta do Interior
Enquanto a campanha de vacinação contra a gripe busca ampliar a cobertura no Estado de São Paulo e em todo o país, uma força-tarefa internacional trabalha durante o ano inteiro para garantir que o imunizante esteja preparado para combater as variantes mais recentes do vírus influenza.
Coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Sistema Global de Vigilância e Resposta à Gripe reúne centenas de laboratórios distribuídos por mais de 130 países, responsáveis por monitorar a evolução do vírus e identificar quais cepas têm maior probabilidade de circular nas temporadas seguintes. Essas informações servem de base para a formulação da vacina produzida pelo Instituto Butantan e distribuída gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A necessidade de atualização anual ocorre porque o influenza sofre mutações constantes. Segundo a pesquisadora Isabela Carvalho Brcko, especialista em vírus respiratórios e pós-doutoranda do Centro para Vigilância Viral e Avaliação Sorológica (CeVIVAS), essas mudanças permitem que o vírus escape parcialmente da resposta imunológica desenvolvida em infecções anteriores ou por vacinas de anos anteriores.
Atualmente, a vacina trivalente protege contra os subtipos Influenza A(H1N1), Influenza A(H3N2) e uma cepa da linhagem Victoria do Influenza B. A antiga linhagem Yamagata não registra circulação desde 2020 e, por isso, deixou de integrar a recomendação da OMS.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, a gripe sazonal provoca cerca de um bilhão de infecções todos os anos no mundo, sendo que entre três e cinco milhões evoluem para formas graves da doença.
Vigilância começa nos postos de saúde
No Brasil, o monitoramento do vírus começa nas unidades sentinelas de saúde, que coletam amostras de pacientes com síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave. O material é analisado pelos Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) e, posteriormente, encaminhado aos três centros nacionais de referência credenciados pela OMS: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Adolfo Lutz e Instituto Evandro Chagas.
Depois de análises laboratoriais, os dados seguem para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, que reúne as informações das Américas antes de encaminhá-las à OMS. Com dados de diferentes continentes, especialistas definem, duas vezes por ano, quais cepas deverão compor as vacinas destinadas aos hemisférios Norte e Sul.
Para a campanha de vacinação de 2026 no hemisfério Sul, foram escolhidas as cepas A/Missouri/11/2025 (H1N1)pdm09, A/Singapura/GP20238/2024 (H3N2) e B/Áustria/1359417/2021, da linhagem Victoria.
Vacinação segue como principal forma de prevenção
Apesar da disponibilidade da vacina, a cobertura vacinal ainda preocupa as autoridades de saúde. Dados do Ministério da Saúde apontam que pouco mais de 40% do público prioritário havia sido imunizado em 2026.
Para ampliar a proteção da população, o Estado de São Paulo liberou a vacinação contra a gripe para todas as pessoas a partir dos seis meses de idade, enquanto houver doses disponíveis nas unidades de saúde.
Especialistas reforçam que a imunização reduz significativamente o risco de internações, complicações e mortes provocadas pela gripe, além de diminuir a circulação do vírus e, consequentemente, reduzir as chances de surgimento de novas variantes.
Além da produção anual de mais de 80 milhões de doses da vacina, o Instituto Butantan também participa da vigilância genômica do influenza por meio do CeVIVAS. As pesquisas desenvolvidas pelo centro ajudam a mapear a circulação do vírus no Brasil e a compreender como ele se espalha entre as diferentes regiões do país, contribuindo para o planejamento de estratégias de controle da doença.










