- Cidades
- São José do Rio Preto
Bilhões rastreados, líderes presos e drogas apreendidas: a ofensiva de Rio Preto (SP) contra PCC e Comando Vermelho
Operações realizadas em Rio Preto e cidades da região resultaram na prisão de lideranças, apreensão de toneladas de drogas e no rastreamento de bilhões de reais ligados ao crime organizado, intensificando o cerco ao PCC e ao Comando Vermelho no interior
por Gazeta do Interior
A atuação contra facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) tem sido uma das prioridades das forças de segurança em São Paulo. No interior paulista, especialmente na região de São José do Rio Preto, operações de inteligência, investigações financeiras e ações integradas entre diferentes órgãos vêm sendo utilizadas para enfraquecer a estrutura dessas organizações criminosas.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o enfrentamento ao crime organizado está baseado em três pilares: inteligência policial, investigação qualificada e descapitalização das facções. A estratégia busca atingir não apenas integrantes diretamente envolvidos em crimes, mas também operadores financeiros, rotas logísticas, esquemas de lavagem de dinheiro e empresas utilizadas para sustentar atividades ilícitas.
Na região de Rio Preto, os resultados já aparecem nos números. Apenas no primeiro trimestre deste ano, foram apreendidas 148 armas ilegais, mais de 2,3 toneladas de drogas e 2.619 infratores foram presos ou apreendidos pelas forças de segurança.
Segundo a SSP, o combate ao crime organizado ganhou reforço com a integração entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Ministério Público e órgãos de inteligência. Desde 2022, foram realizadas 267 ações conjuntas por meio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) e outras 227 operações integradas com o Ministério Público de São Paulo.
Os resultados dessa estratégia têm sido observados em operações recentes na região. Em maio deste ano, a Operação Sindon, coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Militar, teve como alvo pessoas apontadas como lideranças do PCC em São José do Rio Preto e Tanabi. A ação terminou com sete prisões e o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão. Segundo o Ministério Público, a investigação identificou um suposto plano de atentado ligado à facção, além de apurações relacionadas ao tráfico de drogas e aos chamados "tribunais do crime".
Também em maio, uma ação conjunta do Ministério Público e da Polícia Militar realizada em Votuporanga resultou na prisão de um investigado por envolvimento com organização criminosa ligada ao grupo conhecido como "Bonde do Magrelo", apontado pelas autoridades como associado ao Comando Vermelho. A Operação Red Flag II cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão, recolhendo celulares, notebook e outros materiais considerados importantes para investigações envolvendo homicídios e logística de armas e munições.
A presença de integrantes de facções interestaduais na região também tem sido alvo constante das autoridades. Em outra operação, equipes da Delegacia Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Rio Preto prenderam um integrante do Comando Vermelho procurado pela Justiça da Bahia. O homem, localizado no bairro Residencial Palestra, era investigado por participação em ataques armados ocorridos em Salvador, incluindo incêndios de veículos e ações atribuídas à facção criminosa.
Outro foco importante das forças de segurança tem sido o combate financeiro às organizações criminosas. O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil identificou mais de R$ 23,5 bilhões em movimentações financeiras ilícitas desde 2022. Já o programa Recupera SP atuou na recuperação de R$ 118,5 milhões provenientes de atividades criminosas.
Para a SSP, o combate ao PCC, ao Comando Vermelho e a outras organizações criminosas exige atuação permanente e integrada. O objetivo é reduzir a capacidade operacional e financeira das facções, prender lideranças, desarticular redes de apoio e ampliar a sensação de segurança da população em todo o interior paulista.











